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Por Pr. Tim Barrett
Igreja Batista Emanuel de Jundiaí

Eu cresci celebrando o Natal. Desde que me entendo por gente, a nossa família enfeitava a casa, montava uma árvore, comia uma ceia caprichada e, principalmente, lembrava do nascimento do nosso Salvador. Até hoje consigo citar Lucas 2 de cor, porque todo ano líamos a história do nascimento de Jesus e lembrávamos do “Melhor Presente de Todos” antes de trocarmos presentes. Depois de casado, continuei as mesmas tradições com a minha família.

E sempre celebramos o Natal em todas as igrejas que participamos. Temos enfeites, amigos secretos, serenatas, cantatas, peças das crianças, tudo o que se tem direito!

Natal sempre foi um tempo muito alegre para nós, e também uma grande oportunidade para falar de Cristo para um mundo que “celebra” esta data, mas não conhece o seu verdadeiro significado.

Ataques Contra o Natal

Porém, em anos recentes, tem se tornado popular entre algumas igrejas evangélicas criticar a celebração de Natal. Essa crítica tem ocorrido através de alguns grupos em várias épocas da história também. Vira e mexe, algum irmão chega com um artigo dizendo que estamos participando de práticas pagãs, que árvores de Natal são condenadas na Bíblia, que Jesus nem nasceu no dia 25 e esta data é, de fato, o dia em que os pagãos adoravam o deus Saturno. Segundo esses cristãos, estamos até pecando por celebrar o Natal, e assim acabam ferindo a consciência de irmãos mais fracos. Romanos 14:23

Origem Perigosa de Artigos Contra o Natal

Uma coisa que nos preocupa sobre esses “estudos” contra a celebração do Natal é que muitos têm a sua origem em seitas como as falsas Testemunhas de Jeová, que até proíbem celebrar aniversários, por exemplo. Conseguimos também traçar a origem de muitos desses argumentos a um artigo escrito por Herbert W. Armstrong, líder religioso da seita Worldwide Church of God, que também prega um falso evangelho.

Aparência de Sabedoria e Piedade, Porém Carnais

Isso nos fez analisar com cuidado os nossos costumes referentes a esta data, e chegamos à conclusão que podemos rejeitar esses estudos e críticas contra a nossa celebração do Natal na base de versículos como:

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? … As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. Colossenses 2:20-23

Obviamente, esses versículos não se aplicam à práticas mundanas que a Bíblia condena que promovem imodéstia, imoralidade, filosofias erradas, etc., mas sim à atividades inocentes que a Bíblia não ordena nem condena.

Muitos dos argumentos usados contra as nossas práticas natalinas são de origem duvidosa ou totalmente equivocadas, como veremos nos itens a seguir.

CRÍTICA: A Bíblia não nos manda celebrar o Natal.

RESPOSTA: O primeiro Natal foi celebrado por anjos, pastores, magos, e até pelo universo quando apareceu a estrela no céu! Mas é verdade que o Natal não é uma “data religiosa”, e não temos ordem na Bíblia para guarda-lo. A única coisa que a igreja é mandada lembrar em cerimônia é a morte de Cristo, na ceia do Senhor. Mas nem tampouco somos proibidos de guardar o Natal, ou qualquer outra data que quisermos! Então não é certo que outros irmãos nos julguem por práticas que a Bíblia claramente nos dá permissão de fazer.

Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. … Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. Romanos 14:4-6

Os judeus desde a época da Bíblia celebram a festa de Purim, que comemora a salvação dos judeus do plano de Hamã nos dias de Ester (Ester 9:22). Deus não os proibiu. Aliás, muitos estudiosos acreditam que foi a esta festa que Jesus compareceu em João 5:1. Paulo participou de festas da Lei de Moisés, mesmo na época da igreja (Atos 18:21; Atos 27:9), e até o próprio Jesus participou de uma festa dos judeus, a Festa da Dedicação, ou Chanucá, que não era uma festa ordenada por Deus (João 10:22 22). Vemos Jesus contribuindo para a alegria de uma celebração de um casamento que durou três dias, que também não é mandamento bíblico (João 2). E nós podemos celebrar o Natal!

CRÍTICA: Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro.

RESPOSTA: Não se pode dizer que Jesus nasceu, com certeza, no dia 25 de dezembro. Nem se pode dizer que não. Ninguém sabe com certeza a data em que Jesus nasceu. Porém existem relatos históricos que cristãos celebravam essa data já no terceiro século, baseado na tradição de que o “sexto mês” do calendário judaico em que Maria recebeu o anúncio do nascimento do Salvador era março (Lucas 1:26). Alguns dizem que Jesus não poderia ter nascido em dezembro porque fazia frio e pastores não poderiam estar no campo (Lucas 2). Isso já foi refutado por historiadores. A Mishná nos diz que haviam pastores nos campos ao redor de Belém o ano todo, pois Belém produzia ovelhas para os sacrifícios em Jerusalém. Dezembro é a estação de chuvas, um tempo ideal para alimentar ovelhas no clima árido de Israel. Para saber mais sobre isso, leia estes dois artigos amplamente documentados sobre esse assunto:

http://asbereansdid.blogspot.com/2010/12/plain-truth-about-december-25th.html

https://bible.org/article/should-christians-celebrate-christmas

De qualquer maneira, temos o direito bíblico de celebrar qualquer dia que quisermos (Romanos 14:3-6), por que não aproveitar este tempo que o mundo todo está falando sobre este evento tão maravilhoso?

CRÍTICA: O Dia 25 de Dezembro era uma data em celebração ao deus Saturno.

RESPOSTA: Não existe registros de uma festa pagã especificamente no dia 25 de dezembro. Saturnália era originalmente celebrado no dia 17, e depois se expandiu com festividades até o dia 23. Sim, existiram festas pagãs em dezembro. Também na época da Páscoa. Aliás, existiam festas pagãs em todos os dias. Os próprios nomes dos dias da semana em inglês provam isso! E os dias dos meses também! Muitas datas eram usadas por pagãos pela mesma razão que são celebradas por cristãos, um exemplo são as festas do outono, quando os pagãos celebram os seus deuses, e cristãos dão graças a Deus pela colheita em um “Dia de Ação de Graças”. Mesmo que houvesse uma celebração a um deus nesta data (que nem pode ser provado), isso é irrelevante para nós. Não estamos adorando nenhum deus pagão, druida, celta, etc., estamos lembrando do nascimento de Jesus.

CRÍTICA: O Natal e sua celebração tem raízes pagãs.

RESPOSTA 1: Isso é discutível. Um estudo detalhado de costumes natalinos prova o contrário. Veja este estudo e este estudo. É fácil dizer que qualquer símbolo teve relação com outra coisa no passado. Pode ser verdade ou não. Incrédulos até tentam provar que a cruz era um símbolo pagão antes de ser tornar símbolo do cristianismo. Argumentos assim são usados para dizer que o cristão não pode celebrar aniversários (que, inclusive, os filhos de Jó faziam. Jó 1:4-5.), não se deve usar bexigas ou velas, a noiva não deve se vestir de branco*, não devemos usar alianças, etc. Esses tipos de argumentos se encaixam na “falácia da genética”. Não estamos interessados no que alguma prática ou símbolo representava em algum tempo ou lugar no passado, mas o que significa hoje. Flores sempre foram usadas por pagãos nos seus cultos a deuses falsos, nós as usamos para decorar e alegrar o nosso ambiente e nos lembrarmos das bênçãos de Deus. Veja alguns exemplos de itens ou costumes “pagãos” na Bíblia que foram usados pelo povo de Deus:

  • Harpa – Foi um instrumento que teve a sua origem com homens pecaminosos da família de Caim (Gênesis 4:21), mas será tocada no céu (Apocalipse 5:8; Apocalipse 14:2).
  • O corpo de José foi embalsamado, mas isso não fez dele um pagão.
  • Coroa de louros – Segundo a Enciclopédia Wikipédia, “a origem do uso de uma coroa de louros está no mito de Dafne, uma ninfa que se transmutara em um loureiro para fugir de Apolo.” Porém, na época do Novo Testamento servia simplesmente como símbolo de vitória, e é prometido pelo próprio Jesus para crentes que se acharem fiéis até a morte (Apocalipse 2:10). Veja outras “coroas de louros” prometidas para crentes vitoriosos em 1 Tessalonicenses 2:19; 2 Timóteo 4:8; Tiago 1:12; 1 Pedro 5:4. Aliás, a própria palavra “vitória” era o nome de uma deusa na mitologia romana.
  • Jogos Olímpicos – Esses eventos esportivos começaram como um festival em celebração ao deus grego Zeus, mas nem por isso Paulo hesitou em usá-los como ilustração da vida cristã (1 Coríntios 9:24-27; Filipenses 3:12-14; 1 Timóteo 4:7-8; 2 Timóteo 2:5; 2 Tim 4:6-8).
  • Sadraque, Mesaque e Abednego – Esses eram nomes em homenagem a deuses pagãos que foram dados aos judeus piedosos Hananias, Misael e Azarias (Daniel 1:7); porém Deus usou esses mesmos nomes pagãos para se referir a esses três homens em Daniel 3. Apesar de adotarem certos costumes e nomes dos pagãos, isso não quer dizer que passaram a adorar deuses falsos. Note que Daniel manteve os seus princípios bíblicos ao recusar o vinho do rei e Sadraque, Mesaque e Abednego firmemente se recusaram a adorar a estátua feita pelo rei Nabucodonosor.
  • Domingo – Em inglês, a palavra domingo é “Sunday”, o “Dia do Sol”. Era o dia em que pagãos celebravam o deus sol. Por causa disso, seitas, como os adventistas, querem nos acusar de estarmos celebrando algum deus pagão quando adoramos a Deus no domingo. Isto não tem nada a ver! Nos reunimos no domingo, ou “Sunday” como é chamado em inglês, por ser o nome hoje do primeiro dia da semana, o dia em que os crentes do primeiro século se reuniam lembrando da ressurreição de Jesus (Atos 20:7).

* (A mesma rainha Vitória, do século IX, que trouxe a árvore de Natal para o Reino Unido, também popularizou o uso de vestido branco em casamentos

RESPOSTA 2: De qualquer maneira, a maioria das tradições associadas ao Natal moderno podem ser encontradas na Bíblia.

  • feriados e tradições novas, não ordenados na Lei, mas até celebradas por Jesus (Ester 9: 20-28; João 5:1; João 10:22-23);
  • dias de banquetes e de alegria (Ester 9:22; Neemias 8:9-12);
  • troca de presentes (Ester 9:22);
  • doações para os pobres (Ester 9:22);
  • guirlanda, sinos e frutas (Êxodo 28:33-34; 39:25-26; 2 Crônicas 3:16);
  • luzes, flores e ornamentos (Êxodo 25:31-37);
  • árvores como enfeite (Isaías 60:13);
  • vegetação como enfeites (Levítico 23:40; Neemias 8:13-15); (Durante a “Festa dos Tabernáculos, além de “folhas lindas” (Levítico 23:40), judeus acrescentam enfeites semelhantes aos que usamos na época de Natal para deixar o ambiente alegre e bonito.);

Veja o que alguns enfeites natalinos podem nos fazer lembrar:

  • Guirlandas – circulo, símbolo de vida eterna; folhas pontiagudas e flores vermelhas, a coroa de espinhos e o sangue de Cristo no Calvário;
  • Estrelas – uma estrela guiou os Magos até o Senhor. Deus nos dirige por Sua Palavra e pelo Espírito Santo;
  • Laços – unidade da Igreja “amarrados juntos” pelo sangue derramado de Jesus Cristo.
  • Sinos – anunciando as boas novas do nascimento do nosso Salvador;
  • Ornamentos – devemos ser “ornamentos da doutrina de Deus” (Tito 2:10);
  • Bengala de Natal – existe uma lenda sobre este enfeite que um diretor de uma peça Natal em 1670 preparou este doce para acalmar as crianças e os lembrar da história de natal. Esse costume se espalhou pela Europa e chegou nos Estados Unidos no século de 1800 quando um imigrante sueco-alemão enfeitou a sua árvore de natal com ornamentos de papel e “bengalas de natal”. Alguns dizem que um doceiro em Indiana os criou para testemunhar do amor de Cristo;
    • Parece um “J” – Jesus;
    • Também parece um cajado e nos lembra dos pastores;
    • Listras – nos lembram das feridas nas costas de Jesus;
    • Vermelho – do Seu sangue;
    • Branco – que nos purifica de todos os pecados;
      É significativo que essas “bengalas de Natal” são proibidas em escolas públicas nos Estados Unidos hoje.
  • Luzes – Jesus é a luz do mundo, e nós devemos ser luzes, refletindo Cristo para um mundo em trevas.


CRÍTICA: Deus proíbe adotar costumes pagãos em adoração a Ele em Deuterômio 12; Mateus 15:9 e Marcos 7:7.

RESPOSTA: Primeiro, não cremos que os costumes do Natal vieram do paganismo.

Segundo, o trecho de Deuteronômio estava dizendo para destruir os lugares de adoração dos povos que Israel iria expulsar da terra, para não serem tentados a adorar os seus ídolos. Esses trechos não tem nada a ver com dizer que uma vez que algo foi usado por pagãos é sempre pagão, porque mesmo depois que Israel destruiu esses lugares, Deus ordenou que construíssem um Templo (algo que pagãos tinham), com imagens (Êxodo 25:18-22), altares e velas e outras coisas que pagãos também usavam.

Os dois trechos do Novo Testamento citados, não tem a ver com tradições natalinas ou coisas desse gênero. Os fariseus estavam acusando Jesus de quebrar a Lei, e Jesus mostrou que Eles estavam quebrando a Lei por enfatizar minúcias da lei acima das questões mais importantes da lei – amor a Deus e ao próximo. Jesus estava dizendo que as mãos e os copos deles estavam limpos, mas os seus corações estavam sujos, e Ele concluiu estas palavras: “Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem.” (v. 15) Aplicando ao Natal, uma árvore de Natal ou enfeites não vão lhe corromper, mas falta de amor, um espírito crítico em questões permitidas na Bíblia e falsas acusações bem podem.

CRÍTICA: A árvore de Natal é condenada em Jeremias 10.

RESPOSTA: À primeira vista, pode-se ter essa impressão ao ler: “corta-se do bosque um madeiro … Com prata e com ouro o enfeitam.” Mas se lermos o trecho todo, veremos que está se referindo a um “artífice” (v. 3) que está produzindo um ídolo para adoração (v. 11). Idolatria não é algo que praticamos “sem querer”, por se ajoelhar para pegar um presente de Natal, por exemplo (como alguns artigos dizem). Idolatria é um ato do coração em adoração a um deus falso. Existe perigo de crentes serem idolatras, mas não por causa de uma árvore de Natal. O mais provável é que seja por avareza. Colossenses 3:5; 1 João 5:21.

Existem algumas tradições que falam sobre uma origem cristã para a árvore de Natal, como, por exemplo, a “árvore do paraíso” que era usado em peças sobre Adão e Eva na véspera do Natal durante a época Medieval. Uma outra conta que Martino Lutero trouxe um pinheiro para dentro de casa na época de Natal e a enfeitou com velas, dizendo para seus filhos que os faria lembrar do céu estrelado sobre Belém. Alguns buscam relatos de druidas que levavam árvores, carvalhos, de fato, para dentro de suas casas como ato religioso. Pode ser. Mas pagãos têm usado muitas coisas durante os séculos para os seus propósitos. E não-pagãos têm usado as mesmas coisas para outros propósitos. Por que pinheiros? Lembre-se que pinheiros, guirlandas, etc., são da família de plantas sempre-verdes, por isso seriam muito comuns para enfeites durante o inverno – tanto para pagãos quanto para cristãos – em países frios. É a mesma razão por que usamos lírios da Páscoa na América. É a flor da época.

Independentemente de sua origem (lembre-se da “falácia genética”), árvores de Natal não são ídolos. Não as adoramos. Elas adornam as casas e alegram as crianças (e adultos). Alguns penduram enfeites que lembram a história de Natal. Outros usam ornamentos que foram adquiridos ao longo dos anos e trazem lembranças de momentos especiais em suas vidas, ou simplesmente enfeites bonitos que nos lembram que nós também devemos ser ornamentos da doutrina de Deus, nosso Salvador (Tito 2:10).

O significado da árvore de Natal para muitos crentes durantes os séculos é capturada na canção alemã escrita em 1819, pelo organista Joachim August Zarnack.

Ó, pinheirinho de Natal, de ramas sempre verdes.
Ó, pinheirinho de Natal, de ramas sempre verdes.
Seja no inverno ou no verão, as tuas ramas verdes são.
Ó, pinheirinho de Natal, fidelidade ensinas. 

Ó, pinheirinho de Natal, deste Natal de Cristo,
Ó, pinheirinho de Natal, deste Natal de Cristo,
Por mim a morte Ele sofreu, por mim o amargo fel bebeu.
Ó, pinheirinho de Natal, a cruz de Cristo lembras. 

Ó, pinheirinho de Natal, de tronco forte e firme.
Ó, pinheirinho de Natal, de tronco forte e firme.
Mui débil sou e sem valor, ó Cristo, dá-me tal vigor.
Ó, pinheirinho de Natal, a fortaleza ensinas 

Ó, pinheirinho de Natal, de prendas enfeitado.
Ó, pinheirinho de Natal, de prendas enfeitado.
Tu representas dons de Deus, e as alegrias lá dos céus.
Ó, pinheirinho de Natal, de alegres ramas feito. 

Ó, pinheirinho de Natal, com verdes ramas sempre.
Ó, pinheirinho de Natal, com verdes ramas sempre.
Tu simbolizas uma cruz e a vida eterna em Jesus.
Ó, pinheirinho de Natal, coisas felizes lembras.

CRÍTICA: A alegria do mundo durante a época do Natal é vazia.

RESPOSTA: Verdade, mas a nossa é verdadeira. Aprendemos em Eclesiastes que um salvo pode desfrutar das bênçãos de Deus melhor do que um perdido, porque Deus nos dá o caráter certo para fazer isso, e da maneira certa. Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus. Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu? Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria… (Eclesiastes 2:24-26)

Se o povo de Israel era instruído a se “alegrar perante o Senhor” (Levítico 23:40) durante a Festa dos Tabernáculos porque nós não podemos fazer isso durante o Natal, quando lembramos das “novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2:10)? Um lar feliz é um lar saudável. Uma igreja feliz é uma igreja forte. “A alegria do Senhor é a nossa força.” (Neemias 8:10)

CRÍTICA: Não tem nada a ver dar presentes num dia onde você celebra o aniversário de Jesus?

RESPOSTA: Por que não? Tudo pertence a Deus. Dar para outros não é uma maneira de dar ao Senhor (Mateus 25:40,45)? Deus nos manda ser “comunicáveis” (isto é, compartilhar com outros) como sacrifício ao Senhor (Hebreus 13:16) e nos ensina que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35).

No dia em que os judeus celebraram a salvação das mãos de Hamã, eles “mandarem presentes uns aos outros” (Ester 9:19). E no dia dos Tabernáculos, que os lembrava de como Deus cuidou deles durante a sua jornada no deserto e antecipava a alegria do Reino, eles “enviaram porções aos que não tinham nada preparado para si” (Neemias 8:10).

Natal nos lembra que “Deus amou o mundo que deu…” (João 3:16). Será que somos tão mesquinhos que não podemos dar presentes para as pessoas que amamos neste dia tão festivo? Ainda mais quando temos o exemplo que “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tiago 1:17) e esse Deus nos diz: De graça recebestes, de graça dai. (Mateus 10:8).

CRÍTICA: Natal está cheio de materialismo e consumismo.

RESPOSTA: Essas são palavras “carregadas”. Sim, como cristãos, temos que tomar cuidado com ganância e avareza, não só no Natal, mas em todas as épocas do ano. Pense nisso na hora de construir a sua casa, comprar móveis, comprar aquele carro, se matricular em determinada escola, comprar aquele celular, etc. Essas coisas não são erradas em si, mas ganância e avareza sim. Já conheci irmãos extremamente avarentos que eram os primeiros a reclamar sobre o “materialismo” do Natal. Por que será? Veja as definições da ganância e avareza:

Ganância: ânsia por ganhos exorbitantes; avidez, cobiça, cupidez

Avarento: aquele que é obcecado por adquirir e acumular dinheiro; sovina

Avareza: 1. qualidade ou característica de quem é avarento, de quem tem apego excessivo ao dinheiro, às riquezas; 2. p.ext. falta de magnanimidade, de generosidade; mesquinharia, mesquinhez, sovinice

– dicionário Houaiss

Alguém pode ser tão ganancioso ao ponto de não querer dar para outros ou para a obra do Senhor.

Devemos ser prudentes e cuidar para não ficarmos endividados ou querermos coisas além da nossa capacidade ou “só porque outros têm” ou porque um comercial diz que “precisamos ter”. E certamente temos que tomar cuidado com avareza e ganância em nossas vidas. Além disso, nada deve ser feito às custas da obra de Deus e do nosso serviço ao Senhor, obviamente. Mas Deus é tão bom para nós, e “abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos” (1 Timóteo 6:17); será que não podemos retribuir aos outros com amor e generosidade (1 Timóteo 6:18)?

Não existe nada errado em dar presentes para os nossos queridos e amigos – ao contrário, é uma demonstração da graça de Deus em nossos corações (2 Coríntios 8:1). E na nossa igreja, temos ofertas especiais para missões e outras causas e nossos irmãos contribuem generosamente nesta época do Natal. Isso é muito importante e demonstra saúde espiritual na vida do povo de Deus!

CRÍTICA: Natal é um tempo de bagunça e bebedices.

RESPOSTA: Para nós, não é. É um dia de celebração santa e alegre. Domingo é um dia de bagunça para o mundo, um dia de churrascos, cerveja e praia. Mas para nós é o “Dia do Senhor” e vamos para a igreja e servimos ao Senhor. Não vamos jogar fora o nosso domingo porque o mundo abusa deste dia. Eles abusam de outros dias também. Não precisamos correr com eles no mesmo desenfreamento de dissolução (1 Pedro 4:4); porém, a Bíblia nos dá permissão de nos alegrar no Senhor e gozar do fruto do nosso trabalho.

Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus. Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu? Eclesiastes 2:24-25

Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho*, pois já Deus se agrada das tuas obras. Eclesiastes 9:7

[*Nota: Não cremos que esteja falando sobre bebida alcoólica aqui, como vimos em outro estudo.]

CRÍTICA: Presépios de Natal são ídolos.

RESPOSTA: Em países católicos, podem até se tornarem ídolos, se pessoas venerarem e orarem para essas figuras. Por isso evitamos colocar na igreja, para ninguém ser tentado a fazer isso. Para a nossa família, que veio de um país com raízes mais evangélicas, presépios são apenas representações da história de Natal como qualquer figura ou quadro, e até hoje montamos na nossa casa. Nos 10 Mandamentos, Deus não proibiu imagens em si, porque tinha imagens no Templo, por exemplo, (Êxodo 25:17-19) e o próprio Moisés fez uma serpente de metal (Números 21:9). Se você acredita que Êxodo 20:3-4 proíbe qualquer representação ou figura de Jesus, seja em presépio, flanelógrafo ou pintura, você também não poderá ter uma imagem ou pintura de qualquer coisa, pois diz: “nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” O que o Primeiro Mandamento está proibindo é a idolatria. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso (v. 5).

CRÍTICA: E Papai Noel, renas, boneco de neve, etc.?

RESPOSTA: Diz a lenda que houve um bispo no século quatro que jogava saquinhos de dinheiro pela janela de casas pobres na época de Natal. Esses presentes caíam nas meias que estavam se secando em frente à lareira. O nome dele era Nicolau de Mira, hoje conhecido como São Nicolau. Essa história se espalhou pela Europa medieval. Com o tempo, se dizia que ele, como um precursor de Cristo, aparecia cada ano, andando a cavalo, para ver se pessoas estavam fazendo certo ou não. Não havia cavalos na Noruega, então quando a história chegou até lá, São Nicolau andava em renas. E já que o Polo Norte é encostado na Noruega, essa virou a sua nova casa.

Todas essas tradições europeias convergiram na América. Em 1823, um professor do Seminário Episcopal Protestante, Clement Moore, escreveu um poema para os seus filhos chamado ‘Uma Visita do São Nicolau’, que rapidamente se popularizou e criou muitas das noções que pessoas têm sobre “Papai Noel” hoje. Em 1931, um artista famoso, Haddon Sundblom, pintou uma propaganda natalina para a Coca-Cola com uma pintura de um “Papai Noel” bebendo Coca, e essa se tornou a imagem que temos do Papai Noel até hoje.

Existe sim o perigo de Papai Noel substituir Jesus nesta época. Também não vemos sabedoria em enganar os nossos filhos ao ponto de acreditarem em algo para depois ficarem desapontados quando descobrirem a verdade. Mas tendo disto isto, Papai Noel não é uma grande preocupação nossa. Eu deixava os meus filhos pegarem balas dele (e darem uma para mim! :-), e já usaram “gorros” de Papai Noel. Tudo bem. Não assustávamos os nossos filhos e dizíamos que era o diabo. De fato, para nossa família, Papai Noel foi sempre um mero conto de fadas com Alice no País das Maravilhas ou João e o Pé de Feijão ou a fada dos dentes ou Frosty, o Boneco de Neve.

Reflita: Celebrar ou Não?

Ninguém é obrigado a celebrar o Natal. E nem proibido! Posso celebrar o nascimento do meu Salvador neste dia que o mundo está falando sobre isso. Ou qualquer dia, se quiser.  Ou posso não celebrar. A Bíblia nos dá esse direito.

É errado usar esta data para lembrar do nascimento de Cristo de uma forma especial, ler a história de Natal, cantar músicas de Natal, ser generoso, me alegrar com minha família, enfeitar a minha casa e a igreja, passar tempo com meus irmãos em Cristo? Certamente que não! Você acha que estaria honrando mais a Deus deixando a sua família e indo trabalhar neste dia? Honrarei mais a Deus sendo um “estraga festas” e dizendo “Bah! Humbug!*” para todos os que me desejam um Feliz Natal? Ou seria melhor responder, “Feliz Natal! Graças a Deus que Jesus Cristo veio para este mundo para ser o nosso Salvador!”? O que encorajará mais as suas crianças e os seus jovens no caminho do Senhor? Por se recusar a participar de qualquer festa e criticar qualquer celebração, será que você não estará os “provocando à ira” desnecessariamente? Queremos ser como os anjos e pastores que celebraram estas “novas de grande alegria” ou como Jerusalém que nem se importou com o acontecimento?

[*Bah! Humbug que pode ser traduzida para o português como Bah! Enganação. Essa expressão é usada no Conto de Natal (1843) de Charles Dickens pelo personagem Ebenezer Scrooge para expressar seus sentimentos em relação à festividade.]

Ascetismo não é a mesma coisa que espiritualidade (Colossenses 2:23). Sim, existem tempos de chorar. Mas também existem tempos de se alegrar (Romanos 12:15). Eu diria que Natal é um desses! Nosso cristianismo jamais deve acabar com a nossa alegria! É bom mostrar para o mundo que é possível ser feliz sem pecar, e que você pode ser santo sem ser rabugento! Crentes tem cantado hinos de Natal e celebrado essa data há séculos. Que o mundo todo possa conhecer essas “novas de grande alegria, que será para todo o povo.” Dou graças a Deus pelo Natal!

Se Você For Celebrar o Natal, Faça-o Assim!

Quando tinha 4 anos de idade, o meu sobrinho ouviu uma reportagem que começou dizendo: “Quando você pensa no Natal , você já pensa em árvores de Natal”, e ele se virou para o seu pai e disse: “Não é verdade, né, pai? Quando você pensa no Natal, você pensa no nascimento de Jesus.” Ele foi bem ensinado!

Lembre-se da razão da celebração! Não deixe Cristo de fora! Cuidado com o Seu relacionamento com o Senhor nesta época! Não deixe que as “festas” (que não são erradas em si) tirem o seu foco do Senhor. Cuidado para não descuidar da sua vida espiritual. Esta era a preocupação de Jó quando os seus filhos celebravam juntos também (Jó 1:4-5).

Aproveite esta estação para contar a verdadeira razão do Natal. Pregue a Cristo. Dê folhetos. Muitos estão mais abertos para ouvir a mensagem do evangelho e já pudemos levar muitas pessoas a Cristo durante esta época. O apóstolo Paulo usou uma citação de um poeta pagão grego para se identificar com os atenienses e pregar Cristo (Atos 17:28), nós também podemos aproveitar esta época, que é, de muitas formas, abusada pelo mundo, para falar de Cristo, porque conhecemos “the reason for the season” (a razão da estação).

Celebre como o povo de Israel celebrava a Festa dos Tabernáculos com alegria perante o Senhor (Levítico 23:40; Neemias 8:10), com algum descanso (Levítico 23:39) e com ação de graças. (Levítico 23:40-41)

Tenha um Feliz Natal com Cristo!

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